Em coletiva de imprensa, Guilherme Bellintani detalhou o planejamento do Londrina para a Série B 2026, explicando as estratégias para montagem do elenco, investimentos em infraestrutura e o modelo financeiro adotado pela gestão da SAF. Em tom racional e informativo, o dirigente avaliou a temporada 2025 e projetou os próximos passos do clube dentro e fora de campo.
Temporada 2025: base esportiva e acesso garantido
Bellintani classificou 2025 como um ano muito proveitoso para o Londrina. No Campeonato Paranaense, o clube atuou com uma equipe jovem, chegou à semifinal e foi eliminado nos pênaltis, encerrando a competição no topo da pontuação geral. Segundo ele, o título não veio por detalhes e circunstâncias do próprio futebol.
A partir da base montada no Estadual, o elenco foi reforçado para a disputa da Série C do Campeonato Brasileiro. Ao longo do ano, o clube passou por três ciclos de formação de elenco: estadual, início da Série C e a janela final, que coincidiu com a mudança de treinador e exigiu ajustes no modelo de jogo.
Mesmo com uma folha salarial de nível médio — entre a décima e a décima segunda maior da competição, segundo o dirigente — o Londrina fez uma campanha segura na Série C, terminou em segundo lugar e alcançou os dois principais objetivos da temporada: o acesso à Série B e a vaga na Copa do Brasil.
Estratégia em três blocos para o elenco de 2026
Ao tratar do planejamento do Londrina para a Série B 2026, Bellintani explicou que a montagem do elenco segue uma lógica em três blocos:
- Renovações e permanências
O primeiro grupo é formado por jogadores que já estavam no clube, considerados capazes de performar bem na Série B e com boa relação custo-benefício. Algumas renovações não ocorreram, não por falta de confiança técnica, mas por questões de encaixe na folha salarial. - Jogadores experientes na competição
O segundo bloco reúne atletas com vivência em Série B, nível técnico consolidado e, em muitos casos, idade um pouco mais avançada, para formar uma “espinha dorsal” de segurança para o time. - Jovens com potencial de crescimento
O terceiro grupo é composto por jogadores jovens, vistos como peças que podem ser desenvolvidas, ajudar esportivamente e, ao mesmo tempo, gerar valorização no mercado do futebol brasileiro.
De acordo com Bellintani, o elenco para 2026 já está cerca de 80% definido, restando cinco ou seis peças finais para completar o grupo. A projeção é trabalhar com aproximadamente 26 a 28 atletas, distribuídos de forma equilibrada por posição, com pelo menos um jogador mais experiente e outro mais jovem em cada setor.
Política salarial e inflação do mercado
O dirigente ressaltou que o planejamento do Londrina para a Série B 2026 não passa por disputas salariais com outros clubes. Ele criticou a inflação recente do mercado, impulsionada por recursos de casas de apostas, SAFs, vendas de jogadores e antecipações de receitas futuras, citando casos em que atletas passaram a receber até quatro vezes mais do que ganhavam há poucos anos, sem aumento equivalente de performance.
Bellintani explicou que o Londrina trabalha com teto salarial e planejamento gradual da folha: um patamar mais baixo no Estadual, um aumento para o início da Série B e nova ampliação na janela do meio do ano, sempre dentro do orçamento. A prioridade é manter salários em dia, pagar dívidas antigas, investir em estádio e centro de treinamento, evitando o acúmulo de novas dívidas.
Jogadores “figurões”, contratados apenas para vender camisas, não fazem parte da estratégia. Segundo o dirigente, a receita com vendas de camisas é pequena, e o foco está em atletas que entreguem desempenho em campo, mesmo que menos badalados, desde que adequados ao perfil financeiro e técnico do clube.
Relação com a cidade, VGD e torcida
Outro ponto importante do planejamento do Londrina para a Série B 2026 é a relação com a cidade e com a torcida. Em 2025, mais de 106 mil torcedores estiveram nos estádios ao longo da temporada, número visto como símbolo de uma reconexão do clube com Londrina.
A volta ao Estádio VGD exigiu investimento alto: cerca de R$ 5,5 milhões em reformas, em um local que estava fechado havia quase dez anos. De acordo com Bellintani, o valor corresponde a aproximadamente metade do compromisso de investimento previsto para seis anos, o que mostra uma antecipação estratégica desse aporte.
Para 2026, o clube seguirá investindo no VGD, com foco na troca completa do gramado, melhorias em banheiros, correção de vazamentos, ajustes estruturais e ações específicas de acessibilidade, especialmente para usuários de cadeira de rodas. A mudança do gramado, já contratada, depende apenas de uma janela de tempo sem chuva para iniciar a retirada da grama atual, o que deve impactar parte do Campeonato Paranaense, levando o time a atuar no Estádio do Café no início da competição.
Bellintani também afirmou que será necessário reajustar preços de ingressos e planos de sócio, porém sem desconsiderar a realidade financeira da torcida. A ideia é manter setores populares com valores acessíveis, mesmo que alguns ingressos gerem prejuízo pontual, para garantir a presença de torcedores de diferentes camadas sociais.
Centro de treinamento e estrutura a longo prazo
O centro de treinamento é outro pilar do planejamento do Londrina para a Série B 2026 e para os anos seguintes. O projeto já está pronto, com orçamento definido e empresa em fase final de contratação. O terreno, localizado em área rural e parte de uma área maior, passa por processo de desmembramento em cartório, o que atrasou um pouco o início da obra por questões burocráticas.
A expectativa do clube é iniciar a construção pelos dois primeiros campos e, em seguida, avançar para o prédio de apoio. A meta é que o Londrina já consiga treinar no novo CT em 2026, mesmo que o complexo ainda não esteja totalmente concluído.
Metas esportivas no Paranaense, Copa do Brasil e Série B
Para o Campeonato Paranaense, o objetivo declarado é disputar de forma competitiva e buscar nova vaga na Copa do Brasil, agora para 2027. Bellintani reconhece que a presença de dois clubes da Série A no Estado torna a disputa mais difícil, mas reforça que o Londrina não teme o confronto e trabalhará para montar um time seguro e competitivo.
Na Série B, a meta é clara: consolidar o clube na divisão ao longo de três anos, com campanhas de meio de tabela e sem grandes sobressaltos. Somente após esse período, com dívidas reduzidas, CT em funcionamento e VGD em patamar melhor, o clube pretende estar em condições de pensar em objetivos mais ambiciosos, como brigar pelo acesso à Série A, sem comprometer a saúde financeira.
Bellintani fez questão de destacar que o acesso antecipado, um ano antes do previsto no planejamento inicial, anima, mas não ilude a gestão. Para ele, o equilíbrio entre razão e emoção será decisivo para que o projeto avance de forma sustentável e o torcedor veja resultados consistentes, dentro de uma trajetória construída passo a passo.






