Famílias indígenas das etnias Kaiowá e Guarani relataram confronto com a Polícia Militar na Fazenda Limoeiro, área sobreposta ao território tradicional Tekoha Tapy Kora, em Amambai, Mato Grosso do Sul. O episódio ocorreu entre a tarde de quarta-feira (17) e a manhã de quinta-feira (18), quando batalhões policiais, incluindo o Batalhão de Choque, foram ao local para realizar uma ordem de despejo.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), mais de dez viaturas cercaram a área, resultando em correria, uso de bombas e disparos. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram a perseguição policial dentro do território indígena. Apesar da tensão, as famílias permanecem na área, com a Força Nacional atuando como mediadora entre indígenas, produtores rurais e autoridades.
O Tekoha Tapy Kora faz limite com a Reserva Limão Verde, criada em 1928, mas que teve parte de sua área ocupada por fazendas. Atualmente, os Kaiowá e Guarani ocupam cerca de 668 hectares do local. O processo de demarcação da Terra Indígena Iguatemipeguá II, onde está a Fazenda Limoeiro, está em análise desde 2008 pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Em nota, a Aty Guasu Guarani e Kaiowá repudiou a ação policial, afirmando que houve violação de direitos fundamentais dos povos indígenas. A organização pede investigação das denúncias de violência e proteção às comunidades.
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) informou que a Força Nacional teve seu efetivo ampliado na região e equipes da Funai acompanham a situação, prestando assistência aos indígenas. Uma reunião de emergência foi realizada com órgãos federais para garantir a legalidade das ações e o respeito aos direitos coletivos.
Na quinta-feira (18), a Justiça Federal de Ponta Porã expediu decisão preventiva em favor dos ocupantes da Fazenda Limoeiro, mas não autorizou remoção compulsória. O MPI reforçou que qualquer ação policial só pode ocorrer com decisão judicial e acompanhamento de órgãos competentes.
Até o momento, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Mato Grosso do Sul e o comando da Polícia Militar não se pronunciaram sobre o caso.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br









