Operação Sem Retorno cumpriu 13 mandados de busca, prendeu três investigados e recuperou nove aparelhos celulares, valor estimado de R$ 70.000,00
Uma investigação iniciada há cerca de três meses resultou na Operação Sem Retorno, deflagrada na manhã desta terça-feira, 7 de julho, contra um grupo suspeito de praticar roubos de celulares de alto valor em Cambé.
Segundo a Polícia Civil, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e expedidos cinco mandados de prisão temporária. Três investigados foram presos, enquanto outros dois não haviam sido localizados até a atualização divulgada pelas autoridades.

A operação contou com a participação da Polícia Civil de Cambé, do serviço reservado da 11ª Companhia Independente da Polícia Militar, do Batalhão de Polícia de Choque, do Canil da Guarda Municipal e de equipes de operações com cães da Polícia Civil de Londrina.
Investigação começou após roubo de iPhone
De acordo com o delegado Ricardo Trinkel, da Polícia Civil de Cambé, as investigações começaram depois que uma vítima procurou a delegacia para relatar o roubo de um iPhone.
Durante o avanço das apurações, outros oito casos com características semelhantes foram identificados. A polícia passou a trabalhar com a suspeita de uma associação criminosa organizada para a prática de roubo majorado.
As vítimas eram principalmente pessoas e empresas que comercializavam celulares. Os suspeitos faziam contato fingindo interesse na compra dos aparelhos e combinavam a entrega em uma região previamente escolhida.
Falsos compradores atraíam vítimas para rua sem saída
Segundo a investigação, os criminosos utilizavam chips cadastrados com informações falsas para negociar os aparelhos. Eles diziam que fariam o pagamento no cartão ou ofereceriam algum produto como parte do negócio.
Quando o vendedor ou entregador chegava ao endereço combinado, recebia uma nova orientação. O suposto comprador alegava estar em outra rua ou pedia que a vítima seguisse até um ponto próximo.
Nesse momento, dois homens, geralmente armados, abordavam a vítima e levavam o celular.
Os assaltos aconteciam próximos a uma rua sem saída, usada pelos criminosos como rota de fuga. Depois da abordagem, eles atravessavam uma área de pasto e chegavam às proximidades da residência de um dos investigados.
A dificuldade de monitoramento no local e a ausência de câmeras que registrassem toda a movimentação exigiram um trabalho de inteligência mais detalhado.
Interceptações ajudaram a identificar suspeitos
A Polícia Civil informou que utilizou medidas investigativas, incluindo análises de dados e interceptações autorizadas judicialmente, para identificar os envolvidos e acompanhar a comunicação entre eles.
A apuração também indicou que o grupo poderia contar com olheiros, responsáveis por observar a movimentação nas proximidades e avisar sobre a eventual chegada de viaturas.
Alguns investigados já possuem antecedentes criminais. Outros, conforme o delegado, não apresentavam registros anteriores, mas teriam participação dentro da estrutura organizada do grupo.
Nove celulares foram recuperados
Durante o cumprimento dos mandados, as equipes recuperaram nove aparelhos celulares, sendo sete encontrados na região de Londrina e dois em Cambé.
Os aparelhos deverão passar pelos procedimentos de identificação antes de serem devolvidos aos proprietários.
Conforme a polícia, o grupo demonstrava preferência por iPhones devido ao alto valor de revenda. Celulares de menor valor ou que ainda podiam ser rastreados eram, em alguns casos, abandonados pelos suspeitos.
Arma de fogo e simulacros foram apreendidos
Um dos presos foi reconhecido por vítimas como sendo um dos responsáveis pelas abordagens. Na residência dele, os policiais encontraram uma arma de fogo que, segundo a investigação, teria sido usada nos crimes.
Em outros endereços foram apreendidos simulacros de armas, que também podem ter sido utilizados para ameaçar as vítimas durante os assaltos.
Os objetos passarão por perícia e serão incluídos no inquérito policial.
Polícia apura possível receptação de aparelhos
A investigação também busca identificar quem comprava e revendia os aparelhos roubados.
Segundo o delegado, um celular avaliado em aproximadamente R$ 7 mil chegava a ser oferecido por cerca de R$ 3 mil, valor muito abaixo do praticado normalmente no mercado.
As pessoas encontradas com os aparelhos serão ouvidas, e a polícia avaliará se houve receptação dolosa, quando a pessoa sabe da origem criminosa, ou culposa, quando deveria desconfiar das circunstâncias da compra.
A apuração é acompanhada pela equipe da Polícia Civil na Central de Flagrantes de Londrina.
Operação poderá ter segunda fase
A Polícia Civil não descarta uma nova etapa da Operação Sem Retorno voltada à possível receptação qualificada, especialmente envolvendo estabelecimentos que eventualmente tenham comercializado produtos de origem criminosa.
As investigações continuam para localizar os dois alvos que permaneciam foragidos e esclarecer a participação de cada suspeito.
A operação recebeu o nome “Sem Retorno” em referência à rua sem saída utilizada pelo grupo para atrair as vítimas e escapar após os roubos.
Trabalho conjunto reforça combate aos roubos
A ação mobilizou diferentes forças de segurança de Cambé e Londrina. Para a polícia, a integração foi fundamental para o cumprimento simultâneo dos mandados, localização dos investigados e recuperação dos aparelhos.
O caso também serve de alerta para comerciantes e pessoas que vendem celulares pela internet. Entregas de produtos de alto valor devem ser feitas, sempre que possível, em locais movimentados, monitorados e com confirmação prévia da identidade do comprador.
O Portal Cambé acompanha o andamento da investigação. Informações que possam ajudar a polícia podem ser repassadas de forma anônima pelos canais oficiais das forças de segurança.
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