A parceria entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e hospitais privados tem se consolidado como uma alternativa eficaz para reduzir o tempo de espera por cirurgias eletivas e ampliar o acesso da população a procedimentos realizados com qualidade e segurança. Em Cambé e região, essa estratégia já apresenta resultados expressivos. Somente em 2025, o Hospital São Francisco realizou cerca de 400 cirurgias eletivas pelo SUS, número 49% superior ao registrado no ano anterior.
Historicamente, pacientes do SUS enfrentam longos períodos de espera para a realização de cirurgias eletivas, que podem se estender por meses ou até anos. Isso ocorre porque hospitais de referência precisam priorizar atendimentos de urgência e emergência, o que acaba postergando procedimentos programados. A atuação de hospitais privados, que não concentram esse tipo de atendimento emergencial, permite maior previsibilidade, agilidade e organização da fila cirúrgica.
Desde a retomada da parceria com o SUS, em 2023, o Hospital São Francisco tem disponibilizado quatro salas cirúrgicas para a realização de procedimentos eletivos. Entre as cirurgias mais realizadas estão as gerais, ginecológicas, vasculares, ortopédicas e da especialidade de otorrinolaringologia. A instituição informa que possui capacidade para quadruplicar o número de atendimentos, ampliando ainda mais o suporte à rede pública de saúde.
Entre os pacientes beneficiados está Pamela Antunes da Silva, de 32 anos, moradora de Ibiporã. Ela aguardou cerca de quatro meses para realizar uma cirurgia de hálux valgo, conhecida popularmente como joanete, procedimento indicado para correção de uma protuberância óssea que causava dores constantes. Segundo ela, o atendimento foi rápido e ocorreu dentro do prazo informado, com acompanhamento adequado durante todo o processo.
Outro caso é o de Gisele Cristina Jorge da Silva, de 45 anos, residente em Londrina. Após fraturar o pé, ela precisou passar por uma cirurgia ortopédica realizada pelo SUS no Hospital São Francisco, em Cambé. Em fase de recuperação, a paciente relata que o atendimento ocorreu de forma organizada, desde as consultas iniciais até o período pós-operatório, com atenção contínua da equipe de saúde.
As cirurgias gerais foram as mais realizadas em 2025, com destaque para colecistectomias, procedimento para retirada da vesícula biliar por videolaparoscopia, e correções de hérnias da parede abdominal. O médico e cirurgião geral Luiz Henrique Oliveira Westphalen explica que a estrutura do centro cirúrgico permite a realização de até seis procedimentos em um único período. Segundo ele, a combinação de equipe experiente, equipamentos modernos e materiais adequados contribui para maior segurança e menor índice de complicações pós-operatórias.

Na avaliação do profissional, a parceria entre o SUS e hospitais privados é fundamental para garantir escala e qualidade nos atendimentos. Em hospitais que acumulam demandas de urgência, as cirurgias eletivas tendem a ser adiadas. Já nas instituições privadas, os procedimentos programados seguem o cronograma estabelecido, assegurando previsibilidade ao paciente. Outro fator destacado é o baixo índice de infecção hospitalar, próximo de zero, aliado ao uso de equipamentos que nem sempre estão disponíveis na rede pública tradicional.
O diretor administrativo do Hospital São Francisco de Cambé, Tiago Rodrigues Casimiro, afirma que a instituição está preparada para ampliar significativamente o número de cirurgias pelo SUS em 2026. O hospital conta com 36 leitos de internação, sendo 22 em enfermarias, oito em apartamentos e seis em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de infraestrutura adequada para absorver maior demanda. De acordo com ele, o objetivo é contribuir diretamente para a redução das filas de espera e oferecer mais qualidade de vida à população de Cambé e municípios da região.






