A trajetória artística de Conceição Freitas da Silva Antunes, conhecida como Conceição dos Bugres, ganha destaque no Rio de Janeiro com uma exposição inédita de sua família. Natural do Rio Grande do Sul e reconhecida como uma das principais artesãs do Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso do Sul, Conceição ficou famosa por suas esculturas em madeira representando figuras indígenas, chamadas bugres.
Após o falecimento da artista em 1984, a tradição foi mantida por seu marido Abílio Freitas da Silva e seu filho Ilton Silva. Atualmente, o neto Mariano Antunes Cabral Silva, conhecido como Mariano Neto, segue o legado, criando peças inspiradas nas obras da avó. Ao lado de sua mãe, Sotera Sanches, também escultora, Mariano apresenta pela primeira vez suas criações no Rio, na mostra “Sobre bugres e totens: a arte de Sotera Sanches e Mariano Neto”.
A exposição acontece na Sala do Artista Popular do Museu de Folclore Edison Carneiro, que integra o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), vinculado ao Iphan. A abertura será nesta quinta-feira (9), às 17h, com visitação gratuita até 9 de setembro. O público poderá adquirir as obras e o catálogo durante o evento ou posteriormente na loja do museu, com preços definidos pelos próprios artistas, seguindo o princípio do comércio justo.
O museu já possui algumas peças originais de Conceição dos Bugres em seu acervo, que foram expostas anteriormente. Segundo a pesquisadora Flávia Klausing Gervásio, após a morte da artista, suas obras ganharam ainda mais reconhecimento, sendo exibidas em importantes galerias e museus, como o MASP e o Museu Afro.
Mariano Neto, que desde pequeno auxiliava a avó, passou a se dedicar exclusivamente à produção dos bugres após o falecimento de Conceição e Abílio. Sotera Sanches, sua mãe, também contribui com esculturas próprias, os totens, que são rostos entalhados em madeira crua, sem pintura ou cera. Algumas dessas peças estão presentes na exposição, incluindo esculturas de parede.
A documentação do trabalho de Conceição dos Bugres foi realizada na década de 1970 pelo CNFCP, garantindo registros fotográficos e informações sobre o processo de criação da artista. Parte desse material está disponível no catálogo da exposição.
O Museu de Folclore Edison Carneiro promove há mais de 40 anos exposições de artistas populares de todo o Brasil, buscando valorizar diferentes técnicas e tradições regionais. A mostra atual reforça a importância da diversidade cultural e do artesanato familiar brasileiro.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br









