Ao longo do século 20, a democracia no Brasil evoluiu de maneira irregular, frequentemente marcada por períodos de repressão. Nesse contexto, as escolas de samba emergiram não apenas como centros culturais, mas também como importantes veículos de resistência política.
O Papel das Escolas de Samba na Resistência
Durante a ditadura militar, que durou de 1964 a 1985, compositores e membros de escolas de samba enfrentaram vigilância e censura. Para muitos, o samba-enredo tornou-se uma forma de manifestação contra as políticas autoritárias, refletindo o desejo de liberdade e justiça social.
A Pesquisa de Rodrigo Antonio Reduzino
O sociólogo Rodrigo Antonio Reduzino dedicou-se a estudar o impacto político dos sambas-enredo dos anos 1980, uma época crucial que incluiu movimentos como as Diretas Já. Sua tese de doutorado, intitulada 'Enredos da Liberdade', analisa como essas manifestações culturais contribuíram para o debate democrático no Brasil.
Samba e Racismo Estrutural
O samba, uma expressão cultural enraizada na herança africana, enfrentou historicamente a repressão estatal. As forças de segurança frequentemente usavam leis como o Código de Vadiagem para criminalizar praticantes de samba, perpetuando a discriminação racial e social.
A Influência dos Bicheiros
Durante o regime militar, os bicheiros, figuras ligadas ao jogo do bicho, tornaram-se patronos das escolas de samba. Essa associação trouxe visibilidade e recursos, mas também estigmatizou as escolas, associando-as a atividades ilegais.






