Uma análise do Observatório do Clima aponta que, a partir de 2027, o Congresso Nacional contará com uma maioria de parlamentares pouco alinhados à agenda ambiental. Segundo o levantamento, cerca de 70% dos deputados federais e senadores eleitos para a 58ª Legislatura apresentam baixo ou muito baixo comprometimento com temas ligados ao meio ambiente e ao clima.
O estudo utilizou o índice de convergência ambiental, que avalia o histórico de votos e ações dos parlamentares em relação à pauta socioambiental. Entre os 594 integrantes das duas Casas, 409 foram classificados nas faixas de menor alinhamento, enquanto apenas 185 demonstraram postura favorável à proteção ambiental.
Senado amplia distanciamento de temas ambientais
No Senado Federal, o cenário é ainda mais preocupante: 64 dos 81 senadores, o equivalente a 79%, têm pouca ou nenhuma sintonia com iniciativas de conservação, combate às mudanças climáticas e adaptação urbana. O número representa um aumento em relação à legislatura anterior, que já registrava distanciamento significativo desses temas.
Câmara dos Deputados segue tendência
Na Câmara, 345 dos 513 deputados também foram avaliados como pouco alinhados à agenda ambiental. Apenas 168 parlamentares apresentaram algum grau de compromisso com o meio ambiente, sendo que 25% deles atingiram o nível considerado muito bom.
Impactos para políticas ambientais
Especialistas alertam para o risco de retrocessos, como o enfraquecimento de órgãos de fiscalização, anistia a ocupações irregulares e redução da proteção de florestas e biomas. A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, destaca que o novo perfil do Congresso pode dificultar avanços e aumentar a preocupação diante da crise climática.
O estudo também aponta que o crescimento de partidos de extrema direita, como o PL, contribuiu para o aumento da baixa convergência ambiental entre os parlamentares.
Contexto e histórico
A análise utilizou dados oficiais do Congresso, assembleias e governos, além da plataforma Farol Verde, para classificar o alinhamento dos eleitos. A tendência de baixa adesão à pauta ambiental já vinha sendo observada em legislaturas anteriores, mas o novo levantamento indica um agravamento do quadro.
Com o início da nova legislatura em 2027, o tema ambiental deve enfrentar desafios ainda maiores no Congresso, exigindo mobilização de entidades, especialistas e da sociedade civil para evitar retrocessos.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br






