O número de agressões políticas contra mulheres registrou forte aumento neste mês dedicado à luta contra a violência de gênero. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que os processos envolvendo esse tipo de crime saltaram de 15, em 2022, para 177 em 2026, um crescimento de 11 vezes. O mês marca o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado neste sábado (10), data que relembra o histórico protesto realizado em 1980, quando centenas de mulheres se reuniram em São Paulo para denunciar crimes de gênero.
Durante a campanha eleitoral de 2026, organizações de direitos humanos como Terra de Direitos e Justiça Global identificaram 134 casos de violência política, sendo que mais da metade das vítimas eram mulheres. Dos episódios que atingiram candidatas, 58,8% tiveram mulheres como alvo, mesmo elas representando apenas um terço das candidaturas. O Disque 180, canal nacional de denúncias, recebeu 1.564 relatos de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto deste ano. Mulheres pretas e pardas foram as mais atingidas, respondendo por mais de 53% das denúncias.
Casos recentes e impacto local
Entre os casos de maior repercussão está o da deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, que denunciou ameaças de morte e violência sexual recebidas durante a campanha. Além de ataques machistas e racistas, seus dados pessoais foram expostos, levando o partido a contratar segurança armada. Ana Elisa se tornou a deputada federal mais jovem do Brasil e a mulher mais votada na história de Minas Gerais.
O Ministério das Mulheres alerta que a violência política é reflexo de uma estrutura social marcada pela misoginia e pelo desestímulo à participação feminina nos espaços de poder. A secretária Nacional de Articulação Intersetorial e Interfederativa, Sandra Kennedy, destaca que essas agressões vão desde ameaças diretas à vida até ataques cotidianos e velados.
Histórico de violência política
O Brasil já presenciou casos graves, como o assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018, a importunação sexual sofrida pela deputada Isa Penna em 2020 e ofensas públicas à deputada Maria do Rosário. A retirada de escolta policial da deputada Talíria Petrone, mesmo sob ameaça, também acendeu alerta sobre a vulnerabilidade das mulheres na política.
Como denunciar e buscar apoio
Mulheres vítimas de violência política podem recorrer a canais como o Disque 180, Ouvidorias do Ministério Público e do Conselho Nacional de Justiça, Polícia Federal e Defensorias Públicas. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia.
Contexto local e importância do debate
A escalada da violência política de gênero reflete desafios enfrentados em todo o país, inclusive em cidades do Norte do Paraná, onde a participação feminina na política ainda encontra barreiras. O aumento dos casos reforça a necessidade de atenção e mobilização da sociedade para garantir a segurança e o direito das mulheres de ocupar espaços públicos.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br






