A violência política durante a campanha eleitoral de 2026 no Brasil atingiu níveis preocupantes, com as mulheres sendo as principais vítimas. Segundo levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global, foram registrados 134 casos de violência política até o primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro. Desses, 70 episódios tiveram mulheres como alvo, o que representa 52,2% do total.
O estudo aponta que, embora as mulheres representem cerca de um terço das candidaturas, elas foram alvo em mais da metade dos casos de violência política, incluindo ameaças, ofensas, agressões físicas e até assassinatos. A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) denunciou ameaças de morte e de violência sexual, destacando a gravidade do cenário.
Ambiente digital e ruas são palco de ataques
Grande parte das agressões acontece nas ruas, mas o ambiente digital também se mostra como espaço de hostilidade, principalmente devido à falta de regulação das redes sociais. A maioria dos casos de violência política de gênero ocorre sem resposta rápida das autoridades, o que contribui para a subnotificação dos episódios.
Casos aumentam em relação a 2022
O número de ocorrências em 2026 supera o registrado no primeiro turno de 2022, quando houve 121 casos. A cada nove horas, um novo episódio é relatado durante o período eleitoral, número cinco vezes maior do que em períodos sem eleições.
Perfil das vítimas e tipos de violência
Entre as mulheres vítimas, 19 eram negras, mostrando a sobreposição de machismo, racismo e transfobia. Dos 134 casos, 64 foram de ameaça, 33 de ofensa, 19 de agressão física, 11 atentados, cinco criminalizações e dois assassinatos, ambos de agentes municipais.
Impunidade e desafios para a democracia
Em nenhum dos casos houve punição até o fim da apuração, apesar de medidas emergenciais como remoção de conteúdos e concessão de medidas protetivas. Para especialistas, a ausência de punição e a naturalização da violência política ameaçam a democracia e intimidam a participação feminina e de minorias na política.
Contexto local e histórico
O aumento da violência política de gênero reflete um problema estrutural no Brasil, que já vinha sendo observado em eleições anteriores. A falta de respostas efetivas das autoridades e a recorrência de ataques durante campanhas eleitorais mostram a urgência de políticas públicas voltadas à proteção de candidatas e à responsabilização dos agressores.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br






