A escritora e jornalista Eliana Alves Cruz destacou a falta de reconhecimento para autoras negras no Prêmio Jabuti, um dos mais importantes da literatura brasileira. Ela, que venceu o prêmio em 2022 e 2026, afirmou que o fato de ter sido a primeira mulher negra a conquistar a categoria Romance só ocorreu na 68ª edição, o que considera um reflexo da exclusão histórica no cenário literário nacional.
Eliana começou a se interessar pela escrita ainda criança, mas só após enfrentar um período de burnout no jornalismo decidiu se dedicar à literatura. Seu primeiro livro, “Água de Barrela”, foi inspirado na história de sua família e venceu o Prêmio Literário Oliveira Silveira em 2015. Desde então, consolidou sua carreira com outras obras premiadas, como “A vestida” e “Meridiana”.
Em entrevista, Eliana ressaltou que temas como racismo e escravidão são centrais em sua produção, não apenas como denúncia, mas para mostrar as complexidades das famílias negras no Brasil. Ela também mencionou a importância da oralidade e da pesquisa histórica para dar voz a histórias pouco representadas.
Além da literatura, Eliana apresentou o programa “Trilha de Letras” na TV Brasil e será empossada na Academia Carioca de Letras em 17 de novembro. Para ela, a representatividade negra nos prêmios literários ainda é insuficiente, citando nomes como Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, que poderiam ter sido reconhecidas antes.
Eliana incentiva jovens escritores negros a persistirem, estudarem e buscarem sua própria voz, apesar das dificuldades impostas pela sociedade. Para ela, a conquista de prêmios é importante, mas a luta por mais espaço e visibilidade é um caminho contínuo.
A trajetória de Eliana Alves Cruz reforça o debate sobre diversidade e inclusão no meio literário brasileiro, apontando para a necessidade de mudanças estruturais e mais oportunidades para autores negros.
O debate sobre a presença de autoras negras em premiações literárias reflete uma discussão antiga no Brasil, especialmente após avanços recentes em políticas de inclusão. O reconhecimento de Eliana Alves Cruz é visto como um passo importante, mas ainda há muito a ser feito para ampliar a representatividade na literatura nacional.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br







