Apesar do avanço das fontes renováveis, a maior parte dos subsídios federais ao setor de energia no Brasil em 2025 ainda foi direcionada aos combustíveis fósseis. Segundo levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), 70% dos recursos, cerca de R$ 54,12 bilhões, foram destinados a setores como petróleo, gás natural e carvão vegetal.
Enquanto isso, as energias renováveis, como solar e eólica, receberam R$ 23,04 bilhões em incentivos, valor que representa um aumento de quase 21% em relação ao ano anterior. O estudo aponta que, para cada real investido em renováveis, R$ 2,35 foram para combustíveis fósseis.
Renováveis crescem, mas dependência de fósseis persiste
O relatório do Inesc destaca que, embora os subsídios às fontes renováveis estejam em crescimento, a política energética nacional ainda privilegia atividades que contribuem para o aquecimento global. Os pesquisadores ressaltam a necessidade de repensar os critérios de distribuição dos incentivos, levando em conta justiça social e acesso à energia.
Geração distribuída impulsiona renováveis
Grande parte do aumento nos subsídios às renováveis veio da geração distribuída, modalidade em que o próprio consumidor produz energia, como ocorre com a instalação de placas solares em residências e comércios. Em 2025, esse segmento recebeu R$ 14,71 bilhões, representando quase dois terços dos incentivos ao setor.
Desigualdade e desafios na transição energética
Especialistas alertam que o modelo atual pode aprofundar desigualdades, já que nem todos os consumidores conseguem acessar os benefícios da geração própria. Defendem que a política de subsídios deve priorizar a redução da pobreza energética e ampliar o acesso à energia limpa.
Subsídios aos fósseis caem, mas ainda são expressivos
Embora tenha havido uma leve redução nos incentivos aos combustíveis fósseis em relação a 2024, o valor ainda é elevado. A Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), por exemplo, arrecadou R$ 14,11 bilhões para financiar eletricidade em sistemas isolados movidos a óleo diesel, um aumento de mais de 26% em relação ao ano anterior.
Reformas e novas políticas para o setor
O Ministério da Fazenda afirma que o país já está em processo de reorientação dos subsídios, com destaque para a Lei dos Combustíveis do Futuro e o Plano de Transformação Ecológica. A expectativa é que essas medidas, junto com o Fundo Clima e outros programas, promovam uma distribuição mais equilibrada dos recursos e acelerem a transição energética.
Historicamente, o Brasil vem ampliando o investimento em fontes limpas, mas a transição completa ainda enfrenta obstáculos. O tema é fundamental para o cumprimento das metas ambientais e para garantir energia acessível e sustentável à população.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br







