O Rio Grande do Norte desempenhou um papel fundamental na conquista do direito ao voto pelas mulheres no Brasil. Em 1927, uma lei estadual pioneira, sancionada pelo então presidente do estado, Juvenal Lamartine, garantiu que não haveria distinção de sexo para o exercício do sufrágio. Essa legislação foi a primeira do país a assegurar institucionalmente o direito de voto às mulheres.
Logo após a aprovação da lei, Celina Guimarães Viana, moradora de Mossoró, tornou-se a primeira mulher a se alistar como eleitora no Brasil e na América do Sul. Em abril de 1928, Celina também foi a primeira mulher a votar oficialmente no país. No mesmo período, Júlia Alves Barbosa Cavalcante, de Natal, realizou seu alistamento e se tornou a segunda eleitora brasileira. Ao todo, 15 mulheres participaram das eleições daquele ano no estado.
O pioneirismo potiguar não parou por aí. Em 1928, Alzira Soriano de Nóbrega Teixeira foi eleita prefeita de Lajes, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo no Brasil e na América Latina. Sua eleição, noticiada até pelo jornal norte-americano New York Times, foi marcada por ataques misóginos, mas representou uma vitória política significativa para as mulheres.
Pesquisadoras destacam que o ambiente institucional favorável, aliado à articulação de lideranças feministas como Bertha Lutz, foi decisivo para esses avanços. A lei de 1927 abriu caminho tanto para o alistamento de eleitoras quanto para candidaturas femininas, antecipando em alguns anos o marco nacional de 1932.
Segundo especialistas, o caso do Rio Grande do Norte é considerado raro, pois as conquistas do direito ao voto e à candidatura ocorreram simultaneamente e de forma antecipada em relação ao restante do país. Essas mulheres, ao reivindicarem seus direitos, protagonizaram um capítulo importante da história política brasileira.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








