A Europa registrou uma onda de calor sem precedentes neste início de verão, surpreendendo autoridades, moradores e especialistas. O fenômeno, que elevou as temperaturas em mais de dois graus acima da média por pelo menos três dias, atingiu com mais força as regiões central e norte do continente, com recordes históricos em países como Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Polônia, Dinamarca, Lituânia, Letônia e Suécia.
De acordo com cientistas, o evento foi provocado por um bloqueio atmosférico conhecido como Omega Block, que formou uma extensa área de alta pressão sobre a Europa Ocidental, impedindo a circulação normal dos sistemas meteorológicos e trazendo ar quente do Norte da África. O resultado foi uma elevação das temperaturas entre 5 e 12 graus acima das médias sazonais, com destaque para a cidade francesa de Palluau, que atingiu 43,8°C, segundo a Organização Meteorológica Mundial.
Especialistas alertam que a frequência e intensidade dessas ondas de calor têm aumentado, o que exige ações urgentes para adaptar cidades e proteger populações vulneráveis. O planejamento urbano europeu, marcado pela redução de áreas verdes e expansão imobiliária, tem dificultado a mitigação dos efeitos do calor, especialmente em áreas densamente povoadas e com pouca infraestrutura para altas temperaturas.
Os impactos vão além do desconforto térmico. Sistemas de saúde chegaram ao limite em vários países, e há preocupação com o aumento da mortalidade, principalmente entre idosos, crianças, pessoas em situação de rua e portadores de doenças crônicas. Outro agravante é a manutenção do calor durante a noite, dificultando a recuperação do organismo.
O fenômeno também afeta o setor de turismo, importante para a economia europeia, já que o verão atrai milhões de visitantes. Países como Grécia e Espanha enfrentam o desafio de adaptar atrações turísticas e jornadas de trabalho para proteger turistas e trabalhadores, especialmente migrantes e estrangeiros, mais expostos aos riscos.
Autoridades e pesquisadores defendem a revisão das normas trabalhistas, a ampliação de áreas verdes, a adaptação dos edifícios e a adoção de políticas públicas permanentes de monitoramento e proteção da saúde. Também destacam a necessidade de acelerar a transição para fontes de energia renováveis e fortalecer estratégias de adaptação diante das mudanças climáticas, que já impactam diretamente o cotidiano das cidades europeias.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








