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Brasil rejeita exigências dos EUA por abertura total do mercado sem contrapartidas, diz Mauro Vieira

Mauro Vieira afirma que EUA exigiram abertura do mercado brasileiro sem contrapartidas e que tarifas têm motivação política.

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos pressionaram o Brasil por uma abertura completa dos mercados nacionais, sem oferecer benefícios em troca. Segundo o chanceler, essa postura foi vista como uma tentativa de “capitulação” do governo brasileiro nas negociações sobre as tarifas impostas pelos EUA.

Vieira destacou que o Brasil não aceitou as exigências consideradas desproporcionais e sem justificativa, o que teria causado incômodo no governo norte-americano. O ministro citou como exemplo a solicitação de abertura irrestrita de setores da economia brasileira exclusivamente para os EUA, sem reciprocidade para os produtos brasileiros.

Na quarta-feira (15), os Estados Unidos anunciaram uma tarifa extra de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais por parte do Brasil. O governo brasileiro refuta as justificativas apresentadas para o tarifaço e afirma que buscou negociar até o último momento.

Em resposta a críticas do secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, que atribuiu o impasse ao “ego” do presidente Lula, Mauro Vieira ressaltou que a posição do presidente reflete a defesa da soberania nacional e dos interesses do país. O chanceler também lembrou que, desde março de 2025, foram realizadas mais de 30 reuniões com autoridades norte-americanas para tentar chegar a um acordo.

O governo brasileiro avalia que as tarifas impostas têm motivação política, especialmente diante do cenário eleitoral nos EUA. Vieira lembrou ainda do tarifaço de julho de 2025, de 50%, que teria ocorrido em meio ao julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil.

O ministro também rebateu críticas relacionadas ao Pix, sistema de pagamentos brasileiro, e ao desmatamento ilegal. Segundo ele, as acusações dos EUA não têm fundamento, já que o Pix é uma infraestrutura pública aberta a todas as instituições e o desmatamento vem sendo reduzido desde 2022.

Vieira finalizou ressaltando que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam superávit de US$ 424 bilhões no comércio com o Brasil e que a maioria dos produtos norte-americanos entra no país sem pagar imposto de importação.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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