O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (21) que a Lei da Reciprocidade, aprovada no Congresso, não deve ser vista como uma retaliação aos Estados Unidos, mas sim como um mecanismo para corrigir situações consideradas injustas pelo governo brasileiro.
Segundo Alckmin, a intenção é garantir tratamento justo ao Brasil diante das novas tarifas impostas pelo governo norte-americano. Ele destacou que a reciprocidade busca reparar desequilíbrios e não adotar uma postura de confronto.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, acompanhou Alckmin em entrevista após reunião com empresários dos setores afetados pelas sobretaxas dos EUA. O governo norte-americano estabeleceu tarifas de 25%, com possibilidade de acréscimo de 12,5%, sobre produtos brasileiros, atingindo cerca de 18% das exportações para os EUA, o que representa aproximadamente US$ 7,4 bilhões.
O governo brasileiro estruturou sua resposta em três frentes: apoio financeiro às empresas, diversificação de mercados e diálogo com os setores produtivos para avaliar os impactos. Entre as medidas em análise estão a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano e a flexibilização temporária de regras tributárias para exportadores afetados.
Além disso, a ApexBrasil intensificará a busca por novos mercados, priorizando países como Índia, México, Singapura, Japão e outras nações do Sudeste Asiático. O objetivo é reduzir a dependência do mercado americano, especialmente em setores industriais de maior valor agregado.
Os segmentos mais impactados pelas tarifas incluem eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças, calçados e outros produtos industriais. O mercado dos EUA é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos e representa cerca de 25% das vendas externas de máquinas e equipamentos.
O governo trabalha com um cronograma para definir as medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, espera-se uma decisão dos EUA sobre a aplicação de tarifas adicionais. Já em 29 de julho, entra em vigor a sobretaxa de 25% para produtos brasileiros em trânsito. Até lá, o Ministério do Desenvolvimento concluirá reuniões com representantes dos setores afetados para consolidar um diagnóstico e definir o pacote de apoio.
Também está prevista uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais, especialmente para fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








