Polícia Civil realizou prisões e buscas em uma ação simultânea no Paraná e em São Paulo; grupo teria movimentado mais de R$ 1 milhão por mês
Cambé foi um dos alvos da Operação Golden Gift, deflagrada pela Polícia Civil de Presidente Prudente na manhã desta quarta-feira, 15 de julho de 2026, contra um grupo investigado por fraudes eletrônicas na compra de artigos de luxo.
A operação começou por volta das 6h e ocorreu simultaneamente em Cambé, Londrina e na cidade de São Paulo. Ao todo, sete pessoas foram presas temporariamente e 12 mandados de busca foram cumpridos nas três cidades.
A Polícia Civil não informou, até a publicação desta reportagem, quantas das prisões ocorreram especificamente em Cambé. A investigação, porém, aponta que parte do núcleo suspeito de organizar as fraudes estaria instalada em Cambé e Londrina.
Investigação chegou a suspeitos de Cambé e Londrina

O trabalho foi conduzido pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais da DEIC 8, de Presidente Prudente, no interior de São Paulo.
Segundo a Polícia Civil, as diligências permitiram identificar pessoas que residiam em Cambé e Londrina e que teriam participação na compra, transporte e posterior revenda de produtos adquiridos com cartões de crédito fraudados.
O esquema teria sido estruturado para dificultar o rastreamento das mercadorias. Entregadores e motoristas de aplicativos eram contratados em diferentes etapas, sem contato direto com os responsáveis pelas compras.
Os produtos saíam das lojas, passavam por diferentes entregadores e eram encaminhados para Londrina, de onde seguiam para os compradores finais.
Fraude começou a ser investigada após prejuízo de R$ 12 mil
A investigação começou em abril, depois que a gerente de uma loja de marcas de luxo de Presidente Prudente procurou a Polícia Civil.
Conforme o relato, um comprador realizou cadastro pela internet, escolheu os produtos e efetuou o pagamento com cartão de crédito por meio de um link. As mercadorias foram retiradas em quatro ocasiões por um motoboy contratado pelo próprio cliente.
Horas depois, a loja recebeu a informação de que os pagamentos haviam sido contestados por suspeita de fraude. O prejuízo inicial ultrapassou R$ 12 mil.
Conversas, números utilizados nos contatos e outros registros foram entregues aos investigadores. A partir desses dados, a polícia solicitou medidas judiciais para aprofundar a apuração.
Grupo revendia produtos com descontos de até 60%
Durante pouco mais de dois meses de investigação, a polícia identificou outras três lojas de Presidente Prudente que teriam sido vítimas do mesmo tipo de golpe.
Dezenas de estabelecimentos de São Paulo e do Paraná também estariam entre os possíveis alvos.
Segundo os investigadores, os suspeitos obtinham dados de cartões de crédito fraudados e utilizavam documentos falsos para fazer cadastros em lojas virtuais. Os artigos eram comprados por encomenda e revendidos posteriormente pelas redes sociais.
Os anúncios ofereciam descontos de até 60% sobre o preço original. Uma bolsa comercializada por R$ 5 mil em uma loja, por exemplo, poderia ser anunciada pelo grupo por aproximadamente R$ 2 mil.
As imagens oficiais dos produtos eram utilizadas na montagem dos anúncios, dando aparência de legitimidade às ofertas.
Sete pessoas foram presas durante a operação
A Justiça decretou a prisão temporária de sete investigados, sendo três homens, com idades entre 29 e 35 anos, e quatro mulheres, com idades entre 25 e 30 anos.
Todos foram presos durante a operação desta quarta-feira. Eles são investigados por possíveis crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato mediante fraude eletrônica.
Outras sete pessoas foram alvo de mandados de busca. Uma delas já estava presa no sistema penitenciário do Paraná.
Esse segundo grupo é investigado pela possível compra de produtos com conhecimento da origem ilícita e poderá responder por receptação. Até o momento, 14 pessoas foram identificadas na investigação.
Centenas de produtos de luxo foram apreendidos
Durante o cumprimento dos 12 mandados de busca, os policiais apreenderam centenas de artigos de grife e de luxo cuja origem lícita ainda não havia sido comprovada.
Também foram recolhidos aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais que serão analisados por investigadores e peritos.
A expectativa da Polícia Civil é que a análise desses elementos ajude a identificar novos integrantes, receptadores e o patrimônio adquirido com os valores provenientes das fraudes.
Contas bancárias ligadas aos investigados também foram bloqueadas judicialmente. A medida busca preservar recursos que poderão ser utilizados para ressarcir as vítimas caso a origem criminosa seja comprovada.
Fraudes poderiam superar R$ 1 milhão por mês
A Polícia Civil estima que o grupo atuava há pelo menos dois anos e movimentava cerca de R$ 40 mil por dia por meio das fraudes.
Mantida essa média, o prejuízo provocado às lojas poderia ultrapassar R$ 1 milhão por mês.
Os valores ainda serão apurados detalhadamente durante a análise dos documentos, movimentações bancárias e dispositivos eletrônicos apreendidos.
Operação reforça alerta para compras pelas redes sociais
O caso chama a atenção dos moradores de Cambé e de toda a região para ofertas de produtos de luxo com preços muito abaixo dos praticados no mercado.
A compra de um item de procedência desconhecida pode resultar não apenas em prejuízo financeiro, mas também em investigação por receptação quando houver indícios de que o comprador tinha conhecimento da origem ilícita.
A orientação é desconfiar de descontos excessivos, verificar a identidade do vendedor, exigir comprovante de origem e evitar transferências para contas de terceiros.

Investigação terá continuidade
Os sete presos foram encaminhados para unidades da Polícia Civil, onde foram ouvidos e permaneceram à disposição da Justiça.
Os demais investigados serão indiciados conforme a participação atribuída a cada um. A Polícia Civil informou que o trabalho continuará para identificar outros envolvidos e possíveis vítimas.
O Portal Cambé acompanha os desdobramentos da Operação Golden Gift e atualizará a reportagem caso sejam divulgadas novas informações sobre os mandados e as prisões realizadas na cidade.
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