O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) está conduzindo duas audiências públicas em Washington nesta semana para analisar práticas comerciais brasileiras consideradas desfavoráveis aos interesses norte-americanos.
A primeira audiência, iniciada na segunda-feira (6) e prevista para terminar nesta terça-feira (7), discute a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Entre os temas avaliados estão comércio digital, serviços de pagamento eletrônico como o Pix, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Já a segunda audiência, que começou hoje e deve seguir até quinta-feira (9), envolve 60 países, incluindo o Brasil, e apura possíveis falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão e na restrição à exportação de bens produzidos com trabalho forçado.
Essas audiências fazem parte do processo formal de consultas a representantes de setores produtivos, governos e empresas dos países investigados, além de companhias norte-americanas afetadas. As investigações seguem a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que permite apuração de práticas comerciais consideradas desleais.
Entre as entidades brasileiras participantes estão a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), o Conselho Brasileiro de Exportadores de Café (Cecafé), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Embraer. O senador Flávio Bolsonaro também está entre os inscritos para prestar esclarecimentos.
A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) e o Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais (Sindifer) participam das discussões sobre acusações de favorecimento comercial por meio de trabalho forçado. Segundo a Centrorochas, sobretaxar rochas naturais brasileiras pode prejudicar empresas e a economia dos EUA, já que o país é o principal destino desse produto brasileiro.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, já contestou as conclusões preliminares do USTR, argumentando que as práticas nacionais não prejudicam os Estados Unidos e pedindo que não sejam adotadas medidas unilaterais. O Itamaraty afirmou que as investigações não apresentam provas suficientes para justificar ações restritivas contra o Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br









