A divisão desigual das tarefas domésticas e do cuidado com a família ainda recai majoritariamente sobre as mulheres no Brasil, o que contribui para sua maior exposição à violência de gênero. Especialistas destacam que a sobrecarga, aliada à dependência financeira, emocional e psicológica, dificulta que mulheres rompam ciclos de agressão.
Segundo a professora Thamires da Silva Ribeiro, da Uerj, a falta de autonomia econômica deixa mulheres mais vulneráveis dentro do ambiente doméstico. Ela ressalta que a situação é ainda mais grave para mulheres negras, que enfrentam desigualdades históricas e sociais mais acentuadas.
Dados da Pnad Contínua 2022 mostram que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas, quase o dobro do tempo gasto pelos homens. A Política Nacional de Cuidados, criada em 2024, busca promover uma divisão mais justa dessas responsabilidades, o que pode ajudar a reduzir a vulnerabilidade feminina.
Para a especialista Christine Silveira Abdalla, da ONG Associação Cuidadosa, a própria sobrecarga já representa uma forma de violência, pois muitas mulheres abrem mão de trabalho, estudo e vida social para cuidar do lar sem apoio ou rede de proteção.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que, em 2025, o país registrou 1.571 feminicídios, sendo a maioria cometida por parceiros ou ex-parceiros. Além disso, foram contabilizados mais de 286 mil casos de agressão doméstica e 788 mil ameaças, evidenciando a gravidade do problema.
A advogada Marilha Boldt destaca que a dependência financeira e psicológica são barreiras para que mulheres deixem relacionamentos abusivos. Muitas vezes, mesmo com renda própria, elas permanecem sob controle financeiro e emocional dos agressores.
Claudia Araujo, superintendente de enfrentamento à violência contra a mulher no Rio de Janeiro, aponta que o sistema patriarcal reforça expectativas de que a mulher deve cuidar do lar e da família, dificultando a ruptura com padrões abusivos. Ela reforça a importância da Lei Maria da Penha e dos canais de denúncia para proteção das vítimas.
Entre os principais canais de apoio estão o Ligue 180, disponível 24 horas, o WhatsApp (61) 9610-0180 e o e-mail central180@mulheres.gov.br. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. O CNJ também oferece informações sobre delegacias especializadas e defensorias públicas em todo o país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br







