Um levantamento realizado por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein analisou 200 estudos publicados entre 2013 e 2024, envolvendo dados de mais de 14,5 milhões de brasileiros, para mapear o panorama das hepatites virais no país. O trabalho integra o projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas, dentro do Proadi-SUS, e foi publicado na revista científica PLOS ONE.
O estudo abrangeu as hepatites A, B, C, D e E, detalhando as formas de transmissão, prevalência e os principais desafios para prevenção e tratamento. Segundo o coordenador João Renato Rebello Pinho, as hepatites B e C são as mais frequentes e podem se tornar crônicas, aumentando o risco de cirrose e câncer de fígado. A hepatite A, geralmente aguda e evitável por vacinação, voltou a crescer no Brasil, principalmente entre adultos não vacinados, por conta de práticas sexuais específicas e falta de cobertura vacinal acima dos 18 anos.
Já as hepatites B e C têm transmissão predominante por contato sexual, uso de drogas injetáveis e de mãe para filho durante a gestação. O Brasil tem avançado no controle dessas formas, especialmente na prevenção da transmissão de mãe para filho. A vacina contra hepatite B está disponível e é eficaz, enquanto a hepatite C, sem vacina, conta com tratamentos modernos que curam mais de 95% dos casos.
A hepatite D, conhecida como Delta, é mais comum em populações ribeirinhas da região amazônica e afeta principalmente quem já possui hepatite B. O diagnóstico e tratamento são mais difíceis nessas áreas, tornando-se um desafio de saúde pública local.
A hepatite E, menos conhecida, é uma zoonose associada ao consumo de carne suína e ocorre com maior frequência no Sul do Brasil, onde há maior criação de porcos. Apesar de geralmente ser menos grave, ainda necessita de mais estudos no país.
O levantamento apontou prevalências variadas: hepatite A entre 33,3% e 67,8% na população geral, com índices maiores entre encarcerados, imigrantes e pessoas transgênero. A hepatite B variou de 0% a 7,5%, com destaque para a Amazônia. A hepatite C apresentou taxas de 0,04% a 2,2% na população geral, chegando a 36,9% entre usuários de drogas. A hepatite D foi relatada principalmente na Amazônia, com até 23,9% de prevalência, enquanto a hepatite E atingiu até 59,4% no Sul.
Os resultados do estudo servem de base para gestores e profissionais de saúde planejarem ações alinhadas à meta nacional de eliminar as hepatites virais até 2030. O Proadi-SUS, programa que apoia o desenvolvimento do SUS, reúne hospitais de referência e utiliza recursos provenientes de imunidade fiscal para investir em pesquisa, capacitação e assistência especializada.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br









