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Senado rejeita relatório final da CPI do Crime Organizado e encerra investigações sem documento conclusivo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado encerrou seus trabalhos sem aprovar um relatório final. O parecer do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que recomendava o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), foi rejeitado por seis votos contra e quatro a favor.

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), lamentou o encerramento dos trabalhos sem a prorrogação da comissão, destacando que a investigação não atingiu todos os objetivos previstos. Segundo Contarato, a falta de colaboração do STF em liberar depoentes dificultou a coleta de provas essenciais para o avanço das apurações.

O relatório apresentado por Vieira propunha o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet. Contarato, no entanto, se posicionou contra os indiciamentos, ressaltando a gravidade do ato e a necessidade de responsabilidade ao lidar com reputações públicas.

Durante a votação, senadores favoráveis ao relatório foram Alessandro Vieira, Eduardo Girão (NOVO-CE), Espiridião Amin (PP-SC) e Magno Malta (PL-ES). Votaram contra Beto Faro (PT-PA), Teresa Leitão (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Rogério Carvalho (PT-SE). O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também criticou o relatório, defendendo que a CPI deve priorizar investigações e não disputas políticas.

Houve ainda troca de membros na comissão, com a entrada de Teresa Leitão e Beto Faro no lugar de Sergio Moro e Marcos do Val, a pedido do bloco partidário. Alessandro Vieira atribuiu a derrota do relatório à intervenção do governo e afirmou que a discussão sobre o indiciamento poderá retornar futuramente.

Durante os 120 dias de trabalho, a CPI investigou a atuação de facções criminosas, lavagem de dinheiro e infiltração no poder público. O relatório apontou que 90 organizações criminosas foram mapeadas, com destaque para o Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Primeiro Comando da Capital, e estimou que cerca de 26% do território nacional está sob influência dessas organizações.

O documento também destacou ações bem-sucedidas no combate ao crime organizado, como as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), e ressaltou a importância da descapitalização financeira das facções como estratégia de enfrentamento.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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