Defensores públicos de diferentes estados do Brasil manifestaram preocupação com a ampla divulgação das apostas esportivas e jogos de azar online, conhecidas como bets. O tema foi debatido em reunião conjunta das comissões de Direitos Humanos e de Assuntos Sociais do Senado nesta terça-feira (7).
Segundo Luciana Peles da Cunha, coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, a publicidade das bets está presente em diversos meios, como televisão, estádios de futebol, placas e, principalmente, nos celulares. Ela alerta para o conteúdo das campanhas, que apresentam o jogo como uma alternativa de renda extra, desconsiderando os riscos de perdas financeiras.
Luciana defende que as apostas online tenham restrições semelhantes às da publicidade de cigarros, proibida desde 2000. Ela destaca que as propagandas reforçam a ideia de que apostar é um entretenimento sem riscos, quando, na realidade, a chance maior é de prejuízo para o jogador.
O defensor público Marcelo Dayrell Vivas, de São Paulo, também apoia medidas mais rigorosas. Ele observa que a popularização das bets aumentou a demanda por atendimentos relacionados à saúde mental e superendividamento, especialmente entre pessoas de baixa renda. Para ele, é necessário criar grupos especializados nos serviços de saúde para tratar dependentes de jogos de azar, além de oferecer suporte adequado para casos de tentativa de suicídio ligados ao endividamento.
A economista Ione Amorim, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), ressalta que o hábito de apostar já faz parte da rotina de muitas famílias brasileiras, o que dificulta o enfrentamento dos impactos financeiros e psicológicos causados pelas bets. Ela defende a participação da sociedade civil em eventuais discussões sobre restrições à publicidade e operação dessas plataformas.
No Brasil, as apostas online foram legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023, com novas exigências para as empresas a partir de janeiro de 2025. Dados da Confederação Nacional do Comércio apontam que, entre janeiro de 2023 e março de 2026, os brasileiros gastaram mais de R$ 30 bilhões por mês em apostas digitais. A entidade estima que cerca de 270 mil famílias enfrentam inadimplência severa devido às apostas, o que resultou em uma perda de R$ 143 bilhões para o comércio varejista.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








