A professora e historiadora Vera Lacerda, de 79 anos, foi a responsável pela criação do bloco e do instituto Ara Ketu, em março de 1980, no bairro de Periperi, em Salvador. A iniciativa surgiu do desejo de combater as desigualdades sociais no subúrbio ferroviário da capital baiana.
Ao lado do primo Augusto César, Vera utilizou a música e o carnaval como ferramentas para promover inclusão social e oferecer novas oportunidades para jovens da região. O nome Ara Ketu presta homenagem à cidade de Ketu, no Benim, local de origem de muitos africanos escravizados trazidos ao Brasil.
Segundo Vera, o objetivo principal era afastar os jovens do tráfico de drogas e da marginalidade. Ela destaca que mais de três mil jovens já participaram de cursos profissionalizantes oferecidos pelo instituto, tanto na área musical quanto em outras profissões. O bloco Ara Ketu conquistou reconhecimento nacional e internacional, mas Vera considera mais importante o retorno positivo dos ex-alunos que conseguiram emprego graças aos cursos.
Pelo trabalho social desenvolvido, Vera Lacerda foi reconhecida pela Academia Brasileira de Letras com o título de comendadora. Ela também inspira outras lideranças culturais, como Débora Souza, presidente do bloco Didá, tradicional agremiação feminina do Pelourinho, em Salvador. Débora ressalta o papel do bloco na promoção do empoderamento e da liberdade das mulheres.
O debate sobre o impacto dos movimentos culturais nas periferias também contou com a participação da cantora e radialista Denise Oliveira, produtora da Rádio Nacional em Brasília. Nascida na região de São Sebastião, Denise destacou a importância de iniciativas como Ara Ketu e Didá para a transformação social e para o fortalecimento da identidade negra. Ela também criou o projeto “Vozes da Diversidade”, que valoriza artistas periféricos do Distrito Federal e foi indicado ao prêmio WME da Billboard em 2024.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br







