Moradores de comunidades ribeirinhas de Porto Velho, em Rondônia, receberam atendimento em saúde, educação e cidadania durante a sexta edição da expedição Barco Ciência, Saúde e Cidadania. A ação, realizada entre 20 e 24 de maio, percorreu o Rio Madeira e atendeu diretamente a população das comunidades de Calama, Nazaré e São Carlos, regiões onde o acesso a serviços básicos é limitado e deslocamentos podem durar até nove horas.
A iniciativa foi promovida pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Pesquisa e Conhecimento de Excelência da Amazônia Ocidental e Oriental (INCT-CONEXAO), em parceria com a faculdade Afya São Lucas, de Porto Velho. Mais de 100 profissionais, entre estudantes, professores e pesquisadores, participaram das atividades, levando consultas médicas, exames oftalmológicos, odontológicos, laboratoriais, além de orientações em nutrição, fisioterapia, psicologia e assistência jurídica.
Em Calama, principal comunidade atendida, vivem cerca de 2,3 mil pessoas. Muitos moradores, como a agricultora Vânia Caetano dos Reis, enfrentam longos trajetos de barco e cavalo para conseguir atendimento. Nesta edição, exames oftalmológicos foram os mais procurados, com mais de 200 atendimentos realizados e doação de 300 óculos de grau em parceria com uma ótica local.
Além dos atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Calama, a expedição também realizou visitas domiciliares para pessoas com dificuldade de locomoção, como o ex-seringueiro Manoel Dourado da Silva, de 88 anos. Os casos mais comuns identificados foram hipertensão e diabetes, doenças que exigem acompanhamento contínuo e que, muitas vezes, são tratadas de forma irregular devido à distância e à dificuldade de acesso a medicamentos.
O deslocamento é um dos principais desafios para os ribeirinhos. Porto Velho é a maior capital em extensão territorial do país, e a principal forma de transporte até as comunidades é por via fluvial, com viagens que podem ultrapassar 200 km. Em situações de emergência, muitos moradores precisam buscar atendimento em municípios vizinhos, como Humaitá, no Amazonas.
Para os profissionais e estudantes envolvidos, a expedição representa uma oportunidade de aprendizado e contato com realidades distintas, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das populações atendidas. A ação reforça a importância de iniciativas que levem serviços essenciais a regiões de difícil acesso na Amazônia.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








