A Mata Atlântica, que hoje preserva apenas cerca de 11% de sua área original, sofre com a fragmentação das florestas e a consequente redução da fauna, especialmente de mamíferos de médio e grande porte. Essa perda impacta diretamente o equilíbrio ecológico, afetando processos como a dispersão de sementes.
Com o objetivo de avaliar a conservação da biodiversidade e acompanhar a restauração ecológica, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) iniciou um projeto para monitorar mamíferos em fragmentos florestais e áreas de reflorestamento no norte do Paraná. O estudo, coordenado pelo professor Marcos Robalinho Lima, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal, será realizado no Sítio PELD-MANP, que reúne diversos remanescentes de Mata Atlântica.
Para registrar a presença dos animais, serão utilizadas 45 câmeras fotográficas automáticas, instaladas em trilhas dentro das áreas estudadas. Os equipamentos funcionarão 24 horas por dia, durante cerca de quatro meses, captando imagens que permitirão comparar a diversidade e a composição da fauna entre fragmentos naturais e áreas restauradas.
Além de identificar quais espécies utilizam mais frequentemente cada ambiente, o projeto busca entender se o reflorestamento está conseguindo recuperar a riqueza de mamíferos típica das florestas originais. Os dados também ajudarão a determinar se as áreas restauradas estão ampliando o habitat disponível para a fauna local.
Para facilitar a análise das imagens, será desenvolvido um software específico, em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), capaz de identificar automaticamente a presença de mamíferos nos vídeos. A tecnologia, baseada em aprendizado de máquina, promete agilizar o trabalho dos pesquisadores e tornar futuras investigações mais eficientes.
O monitoramento inclui ainda o acompanhamento de javalis na Reserva Mata dos Godoy, em Londrina, uma espécie invasora que tem causado impactos no local. As câmeras vão ajudar a mapear os pontos mais frequentados pelos animais, contribuindo para a segurança das equipes de pesquisa.
Segundo o professor Marcos Robalinho, avaliar as funções ecológicas dos mamíferos é fundamental para entender o sucesso das ações de restauração e prever possíveis mudanças no ecossistema. O projeto foi contemplado pelo Programa de Bolsas de Produtividade do CNPq e representa um avanço na integração entre tecnologia e conservação ambiental.
Fonte: operobal.uel.br








