O governo brasileiro concluiu, nesta quarta-feira (15), uma emissão internacional de títulos no valor de 5 bilhões de euros, marcando o retorno do país ao mercado europeu após mais de uma década. A operação, conduzida pelo Tesouro Nacional, foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante compromissos oficiais em Washington, nos Estados Unidos.
Segundo o ministro, a emissão foi dividida em três prazos: quatro, sete e dez anos. As instituições financeiras internacionais estimam que foram emitidos 2 bilhões de euros em títulos com vencimento em 2030, 1,5 bilhão para 2033 e outros 1,5 bilhão para 2036. Detalhes sobre taxas de juros e spreads serão divulgados posteriormente pelo Tesouro Nacional.
A procura pelos títulos superou as expectativas do governo, demonstrando forte interesse de investidores estrangeiros. Durigan destacou que a operação foi histórica e que o Brasil pretende explorar novos mercados internacionais até o final do ano.
Esta emissão faz parte da estratégia do governo para gerenciar a dívida pública e ampliar a presença do Brasil em diferentes moedas e mercados. O objetivo é também criar uma referência para títulos em euros, facilitando futuras captações de empresas brasileiras no exterior. Os recursos captados serão usados principalmente para refinanciar a dívida pública federal.
A operação contou com a coordenação de bancos internacionais como BBVA, BNP Paribas, Bank of America e UBS. A decisão de realizar a emissão foi tomada após reuniões do Tesouro Nacional com investidores, aproveitando o cenário favorável do mercado internacional.
Durante a agenda nos Estados Unidos, Durigan comentou ainda a revisão da projeção de crescimento do Brasil pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que passou a estimar alta de 1,9% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Apesar da melhora, o ministro ressaltou que o cenário global de juros elevados pode limitar o crescimento econômico nos próximos anos.
Sobre a estimativa do FMI de que a dívida pública bruta do Brasil pode chegar a 100% do PIB em 2027, Durigan explicou que as metodologias do Fundo e do governo brasileiro diferem. O FMI inclui títulos do Tesouro em poder do Banco Central, enquanto o governo brasileiro não considera esses papéis nas estatísticas oficiais.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








