Durante o período eleitoral de 2026, temas essenciais como ciência, inovação e transição energética seguem pouco abordados nas campanhas, segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A presidenta da entidade, Francilene Garcia, destaca que o foco das discussões tem se concentrado em crises políticas e denúncias, deixando de lado assuntos estratégicos para o desenvolvimento do país.
Francilene ressalta que, apesar de o Brasil enfrentar desafios como envelhecimento populacional, mudanças climáticas e a necessidade de avançar em tecnologia e processamento de minerais críticos, esses tópicos não têm espaço nas agendas dos candidatos. De acordo com ela, a comunidade científica observa com preocupação o distanciamento entre o debate eleitoral e os temas que impactam diretamente o futuro nacional.
A SBPC lançou o Observatório das Eleições com o objetivo de apresentar propostas de políticas públicas e engajar candidaturas em discussões sobre ciência, clima, saúde e transformação digital. No entanto, até o momento, poucas candidaturas demonstraram compromisso com essas pautas, especialmente nos cargos executivos estaduais e federais.
Francilene também aponta que, embora a ciência tenha ganhado destaque em momentos de crise, como durante a pandemia de covid-19 e eventos climáticos extremos recentes, o interesse dos candidatos por esses assuntos diminuiu. Ela defende que o desenvolvimento do país e a integridade das instituições são agendas complementares e não devem ser tratadas como escolhas excludentes.
Além de investimentos em educação, ciência e tecnologia, a SBPC considera fundamental debater a preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para possíveis novas crises sanitárias, a importância das vacinas e os impactos da inteligência artificial. Para a entidade, a ausência desses temas no debate eleitoral pode comprometer a soberania e o futuro do Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br





