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Inteligência Artificial impacta financiamento e audiência do jornalismo no Brasil

O uso crescente de Inteligência Artificial (IA) em buscadores de internet tem reduzido significativamente o acesso direto dos internautas aos sites jornalísticos no Brasil. Com a popularização de ferramentas como o AI Overviews do Google, que oferecem resumos automáticos das notícias, muitos usuários deixam de clicar nos links originais, prejudicando o tráfego dos portais de notícias.

Especialistas alertam que, além de afetar o financiamento do jornalismo profissional, essa tendência pode comprometer a qualidade e a integridade das informações disponíveis para o público. O fenômeno ganhou força a partir de maio de 2024 e já provoca queda de audiência em diversos veículos.

Levantamento da Associação de Jornalismo Digital (Ajor) aponta que, em 2025, um em cada quatro portais associados perdeu mais de 20% da audiência devido à diminuição do tráfego vindo de buscadores. Segundo Carla Egydio, diretora da Ajor, a redução de acessos impacta diretamente a receita publicitária, fundamental para a sustentabilidade dos veículos.

Outro ponto de preocupação é a possibilidade de resumos gerados por IA descontextualizarem informações ou até mesmo reproduzirem trechos literais das reportagens, o que pode configurar plágio e prejudicar o debate público.

No cenário internacional, empresas como o Business Insider já sentiram os efeitos da queda de audiência, levando a cortes significativos no quadro de funcionários. No Brasil, a discussão sobre a remuneração de conteúdos jornalísticos utilizados por IA está em andamento no Congresso Nacional, por meio do Projeto de Lei 2338/2023, conhecido como Marco Regulatório da IA.

O projeto prevê que plataformas digitais paguem direitos autorais pelo uso de reportagens, mas enfrenta resistência de empresas de tecnologia e ainda não avançou na Câmara dos Deputados. Organizações do setor jornalístico, como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), defendem a aprovação da proposta para garantir a remuneração adequada aos profissionais da área.

Enquanto o tema não é votado, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu investigação para apurar possíveis abusos de grandes empresas de tecnologia no uso de conteúdos jornalísticos sem remuneração. Paralelamente, veículos como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo fecharam acordos privados com empresas de IA para o uso de seus conteúdos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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