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Barulho de barcos e turistas prejudica comunicação de peixes em recifes, aponta pesquisa

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) revelou que o ruído causado por embarcações, como lanchas e motos aquáticas, além do movimento de banhistas, interfere diretamente na comunicação dos peixes em recifes de corais. A pesquisa, publicada na revista científica Neotropical Ichthyology, destaca que a poluição sonora encobre os sons naturais emitidos pelos peixes, dificultando comportamentos essenciais como alimentação, reprodução e defesa de território.

O trabalho de campo foi conduzido nas praias de Carneiros e Tamandaré, ambas no litoral de Pernambuco, conhecidas por serem destinos turísticos. Os cientistas monitoraram o ambiente sonoro subaquático e observaram uma redução significativa na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes em áreas com maior presença humana. Segundo Túlio Freire Xavier, um dos autores do estudo, isso ocorre porque os sons dos peixes ficam mascarados pelo barulho das embarcações ou porque os animais reduzem sua produção sonora em resposta ao ruído.

Durante o monitoramento, foram identificados nove tipos diferentes de sons de peixes, sendo que três deles deixaram de ser emitidos em locais mais movimentados. A pesquisa também apontou que a poluição sonora reduz a complexidade acústica dos recifes, prejudicando a comunicação e o comportamento dos peixes.

Os peixes recifais desempenham papel fundamental na manutenção da saúde dos recifes de corais, controlando algas e sustentando a cadeia alimentar local. O estudo alerta que a interferência na comunicação desses animais pode afetar indiretamente atividades econômicas como a pesca artesanal e o turismo.

Embora a pesquisa tenha sido realizada em Pernambuco, os autores ressaltam que o problema pode ocorrer em outros recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha, sempre que houver grande movimentação de embarcações e turistas.

Atualmente, não existem limites definidos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais. Os pesquisadores defendem que o componente acústico seja considerado no planejamento de atividades turísticas e sugerem medidas simples, como organizar rotas de barcos e reduzir a velocidade em áreas sensíveis, para minimizar o impacto sonoro.

A pesquisa reforça a importância de proteger a paisagem sonora dos recifes, garantindo a manutenção dos ecossistemas e dos benefícios que oferecem à sociedade.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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