Um projeto liderado pela professora Andrea Cachel, do Departamento de Filosofia da UEL, está analisando a transição entre o cinema clássico e o moderno a partir das ideias do filósofo norte-americano Stanley Cavell. O estudo destaca como a imagem cinematográfica tem capacidade de expressar aspectos que vão além das palavras, especialmente por meio do silêncio.
A pesquisa se concentra na Filosofia do Cinema, área que estuda a linguagem e os impactos do cinema na sociedade. Segundo Andrea, Cavell valorizava as características do cinema clássico e questionava se o cinema moderno mantém sua essência original, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, período marcado por mudanças profundas na sétima arte.
O trabalho utiliza conceitos como automatismo e dialoga com teóricos da arte, como Clement Greenberg e Michael Fried, para entender o que foi mantido ou transformado na linguagem cinematográfica durante a transição para o cinema moderno. A análise abrange desde filmes clássicos, como os de Frank Capra, Billy Wilder e Alfred Hitchcock, até produções recentes, como “Retrato de Uma Jovem em Chamas” e “Drive My Car”.
Um dos diferenciais do projeto é o foco no silêncio dentro do cinema sonoro. Andrea Cachel investiga como a imagem pode transmitir sentidos que não dependem da narrativa tradicional, ressaltando o poder do silêncio para expressar o que não pode ser dito. Para Cavell, esse aspecto é central para compreender a natureza do cinema.
A pesquisa conta com a colaboração de estudantes e pesquisadores de várias universidades brasileiras, incluindo a Unespar, UFPR e UFRGS, e se estende a participantes de diferentes regiões do país. Os resultados têm sido apresentados em artigos científicos, debates e eventos acadêmicos, promovendo a integração entre filosofia e comunicação social.
O projeto, iniciado em 2024, faz parte de uma sequência de estudos sobre a produção de sentido nas telas e deve ser concluído em 2027. A expectativa é ampliar o debate sobre o papel do cinema na sociedade contemporânea e sua relação com outras formas de expressão artística.
Fonte: operobal.uel.br








