Pesquisadores da Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento realizam monitoramento regular dos costões rochosos em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O trabalho, que envolve mergulhos para contagem e identificação de peixes e outros organismos marinhos, busca fornecer dados científicos para orientar o manejo sustentável dessas áreas.
O levantamento, chamado de censo marinho, ocorre semestralmente em Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios, e anualmente em Angra dos Reis. Os cientistas utilizam instrumentos para delimitar áreas e identificar espécies, incluindo peixes, corais, lulas, polvos e tartarugas marinhas. A região é considerada um ponto de alta biodiversidade devido à sua posição geográfica, que mistura águas frias do sul e quentes do nordeste.
Os costões rochosos são ecossistemas localizados na transição entre o mar e o continente, servindo de abrigo e fonte de alimento para diversas espécies marinhas e aves. Eles são predominantes do litoral do Rio Grande do Sul ao Espírito Santo, com fragmentos no Nordeste. A pesquisa também identifica espécies ameaçadas, como garoupas, meros, badejos, budiões, raias e tartarugas, algumas exclusivas do Brasil.
O projeto mantém diálogo com órgãos como o ICMBio para subsidiar decisões sobre turismo, pesca e limites de ruído de embarcações. Entre as recomendações, estão moratórias para espécies vulneráveis e distanciamento seguro de turistas em relação à fauna marinha.
Além do monitoramento, a equipe avalia o impacto das mudanças climáticas nos organismos das entremarés, como algas e mexilhões, utilizando sensores para registrar variações de temperatura. O objetivo é entender como esses ecossistemas reagem a extremos de calor, cada vez mais frequentes.
Na Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo, o uso sustentável é prioridade. Pescadores locais podem exercer a atividade para subsistência e comércio, mas a pesca industrial é proibida. A economia da região depende da pesca, que movimenta outros setores como fábricas de gelo, manutenção de embarcações e comércio de equipamentos.
O projeto também realiza ações educativas junto à comunidade, promovendo encontros em escolas e capacitações para pescadores e familiares, a fim de incentivar o manejo responsável dos recursos naturais.
Desde 2023, o Projeto Costão Rochoso conta com apoio da Petrobras, que renovou a parceria até 2026, investindo R$ 6 milhões. O objetivo é alinhar conservação ambiental com desenvolvimento social, mostrando que preservação e atividades econômicas podem caminhar juntas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








