Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) acompanhou, durante um ano, as sessões de musicoterapia do projeto MusicalMente, promovido pelo Instituto Não Me Esqueças. O estudo, conduzido pela fisioterapeuta Larissa Laskovski, avaliou como a música pode impactar a rotina de pessoas diagnosticadas com Alzheimer ou outras demências, além de seus familiares e cuidadores.
As atividades do MusicalMente reúnem participantes com diagnóstico e seus familiares, proporcionando momentos de socialização e interação. Segundo a pesquisadora, a música se mostrou uma ferramenta importante para estimular a comunicação, atenção, autonomia e satisfação dos envolvidos. Larissa destaca que, mesmo diante da perda de habilidades comunicativas, a música permite novas formas de interação, como cantar, dançar e gesticular.
Os efeitos positivos foram mais evidentes no dia das sessões e, em alguns casos, permaneceram por até 48 horas. Relatos apontaram maior disposição para interagir, foco e iniciativa em atividades diárias, como se vestir e se alimentar. Para os familiares, a musicoterapia possibilitou uma convivência mais leve, ajudando a fortalecer vínculos além das tarefas cotidianas. Um exemplo citado foi o de um filho que passou a almoçar diariamente com a mãe após participar das sessões.
A experiência também incentivou o uso da música em casa, tanto como recurso para lidar com momentos de agitação quanto para aproximar cuidadores e pacientes. A professora Suhaila Mahmoud Smaili, orientadora da pesquisa, ressalta que o projeto atende pessoas que já não conseguiam participar de outras atividades terapêuticas, evitando o isolamento social.
O estudo foi submetido a uma revista científica e a equipe prepara um capítulo de livro para atualização profissional. A expectativa é que a iniciativa amplie o debate sobre intervenções musicais e inspire outras instituições a adotarem propostas semelhantes.
O Instituto Não Me Esqueças, em parceria com a Secretaria Municipal do Idoso, também oferece sessões de musicoterapia em Centros de Convivência da Pessoa Idosa e promove treinamentos para familiares e funcionários de instituições de longa permanência.
Fonte: operobal.uel.br









