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Moradores de favelas do Rio destacam educação como prioridade nas eleições

Moradores de favelas do Rio apontam educação, mobilidade e inclusão como prioridades nas eleições, cobrando políticas públicas efetivas.

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No Rio de Janeiro, cerca de 2,1 milhões de eleitores vivem em favelas e, com a proximidade das eleições, apontam a educação como principal demanda para os próximos governantes. Dados do IBGE mostram que, apesar de antigas, essas áreas ainda enfrentam dificuldades de urbanização e acesso a serviços básicos, como saneamento e coleta de lixo.

Na capital, 1,3 milhão de pessoas residem em uma das 813 favelas, onde a presença do Estado é desigual. Segundo a professora Eblin Farage, da UFRJ, as favelas não são homogêneas e apresentam realidades distintas, o que exige políticas públicas específicas.

Moradores entrevistados destacam a necessidade de melhorias em mobilidade, educação, cultura, lazer, saúde e participação social. Letícia Vitória Guimarães, jovem do Complexo do Alemão, ressalta que o acesso ao transporte público e a oportunidades de lazer são desafios diários para quem vive nas periferias. Além disso, ela aponta a importância de representantes políticos que estejam abertos ao diálogo com a comunidade.

Isabelle Rodrigues Trindade, da Rocinha, reforça a demanda por oportunidades de emprego e critica o regime de trabalho 6×1, que dificulta a conciliação entre trabalho, estudo e família. A oferta de cursos técnicos e profissionalizantes também é vista como fundamental para o desenvolvimento dos jovens dessas áreas.

Outros moradores, como João*, cobram políticas voltadas para crianças com deficiência e a ampliação de creches adaptadas. Sara Sant’anna, estudante da Uerj e moradora da zona oeste, destaca a necessidade de centros culturais e polos de ensino superior próximos às comunidades.

O enfrentamento ao racismo e a melhoria dos serviços de saúde também aparecem como prioridades. Hugo Oliveira, gestor cultural do Morro da Providência, aponta que o racismo impacta o acesso à saúde e a outros direitos básicos, além de ser pouco abordado nas campanhas eleitorais.

A segurança pública, embora importante, é vista como consequência da falta de políticas sociais. Bruno Rafael Castilho Alves, da Cidade de Deus, afirma que discursos de confronto não representam o desejo dos moradores, que preferem ações voltadas para educação, saúde e esporte como formas de combater a criminalidade.

Para a professora Eblin Farage, é fundamental que o poder público considere as especificidades de cada favela e promova políticas integradas, evitando soluções genéricas. Ela alerta ainda para o risco de clientelismo e fragmentação das mobilizações por direitos nas comunidades.

Os moradores de favelas do Rio de Janeiro esperam que as eleições resultem em compromissos reais com melhorias estruturais, especialmente em educação, mobilidade e inclusão social.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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