O Brasil abriga atualmente mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, incluindo residentes, temporários, refugiados e solicitantes de refúgio, conforme aponta o 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Essas pessoas representam cerca de 200 nacionalidades e estão distribuídas por todo o território nacional.
Entre os grupos mais numerosos estão venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos. O relatório estima que, no início de 2026, cerca de 680 mil venezuelanos residam no Brasil, com destaque para a presença de mulheres e crianças.
A publicação traz análises sobre a evolução dos fluxos migratórios, principais pontos de entrada no país, perfil dos imigrantes por sexo e idade, além da distribuição regional e estratégias de regularização. O documento também aborda temas como trabalho, educação, proteção social e governança local.
De acordo com o relatório, o mercado de trabalho formal brasileiro registrou aumento de 54% no número de trabalhadores migrantes entre 2023 e 2025, superando 414 mil vínculos com carteira assinada em 2025. Os venezuelanos lideram, seguidos por haitianos e cubanos. No entanto, muitos imigrantes com ensino superior acabam ocupando cargos de baixa qualificação, o que motivou recomendações para facilitar o reconhecimento de diplomas e a inserção em empregos compatíveis com a formação.
O estudo também destaca que a maioria dos trabalhadores domésticos migrantes atua na informalidade, representando quase 79% desse segmento em 2024. O relatório alerta para os riscos de exploração e trabalho análogo à escravidão e sugere o fortalecimento de políticas de qualificação e inclusão produtiva.
Na área de proteção social, houve aumento de migrantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais, passando de 562 mil para 650 mil entre 2023 e 2024. O perfil predominante é feminino, com crescimento significativo de crianças e adolescentes cadastrados, o que reforça a necessidade de articulação entre assistência social, educação e proteção à infância.
São Paulo, Paraná e Roraima concentram o maior número de migrantes cadastrados, seguidos por Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O acesso à educação também vem crescendo: o número de estudantes imigrantes na educação básica aumentou 437% desde 2010, e o ingresso no ensino superior subiu 77,5% até 2023. Apesar disso, persistem desafios como a inclusão linguística e adaptação pedagógica.
O relatório ressalta ainda a importância da colaboração entre os governos federal, estadual e municipal para garantir atendimento adequado à população migrante, além de recomendar a ampliação das políticas de acolhimento e interiorização para além dos estados de entrada, como Roraima.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








