Um relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou que 9% dos professores da educação básica pública no Brasil não possuem qualificação completa entre 2024 e 2025. O índice, que inclui profissionais sem diploma, certificação ou formação pedagógica, está próximo à média dos países da OCDE, de 9,1%.
O estudo, chamado Panorama da Educação 2026, destaca que a contratação de professores sem as qualificações exigidas ocorre principalmente devido à escassez de profissionais, uma realidade mais intensa em regiões remotas ou vulneráveis e em disciplinas como matemática e ciências naturais.
Apesar da redução no número de alunos, o Brasil aumentou em 4% o número de professores nos anos iniciais do ensino fundamental entre 2015 e 2024, enquanto as matrículas caíram 7%. A OCDE projeta que a quantidade de crianças de 5 a 14 anos no país deve cair 3% até 2033, o que pode diminuir a demanda por docentes caso não haja mudanças nas políticas educacionais.
Outro ponto do relatório é a saída de profissionais qualificados: em 2022, 10,3% dos professores plenamente habilitados deixaram a carreira, seja por aposentadoria ou demissão. O índice é superior à média da OCDE, que ficou em 6,4% em 2024-2025.
Salários e condições de trabalho também pesam na decisão de seguir na profissão. No Brasil, apenas 44,3% dos professores dos anos finais do ensino fundamental estavam satisfeitos com as condições de trabalho em 2022, e só 22,3% aprovavam os salários. O Ministério da Educação (MEC) afirma manter políticas de valorização, com destaque para o Piso Nacional do Magistério, atualmente em R$ 5.130,63.
Como resposta à escassez, o MEC lançou o programa Mais Professores para o Brasil em 2025 e iniciativas como o Pé-de-Meia Licenciaturas, que dobrou as matrículas de estudantes de alto desempenho em cursos de licenciatura entre 2024 e 2026. O acompanhamento da qualidade dos cursos e o fortalecimento de programas de iniciação à docência também estão entre as ações do governo.
O relatório ainda aponta que 11,5% dos professores dos anos finais do ensino fundamental no Brasil vieram de outras carreiras em 2024, acima da média da OCDE, que é de 8,4%. O Panorama da Educação é publicado anualmente e permite comparar os sistemas educacionais dos países participantes. No Brasil, o Inep é responsável pelo tratamento dos dados.
O tema reforça a importância de políticas contínuas para atrair, formar e manter professores qualificados nas escolas públicas. Deixe sua opinião nos comentários ou compartilhe esta notícia com quem se interessa por educação na região.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br






