Há 62 anos, o Brasil vivenciou um golpe militar que deu início a um regime autoritário duradouro. Durante 21 anos, a ditadura militar brasileira (1964-1985) foi responsável por retirar direitos constitucionais, realizar forte repressão política e censurar a imprensa. Muitos opositores foram perseguidos, torturados e mortos, e seus corpos continuam desaparecidos.
Desafios Pós-redemocratização
Após a redemocratização nos anos 1980, o Brasil ainda enfrenta dificuldades em relação à memória, reparação e justiça, especialmente no tocante aos desaparecimentos forçados. A principal barreira é a falta de um programa de Estado permanente para busca e identificação de desaparecidos.
Esforços e Dificuldades na Identificação
O Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Unifesp, sob coordenação de Edson Teles, destaca a ausência de políticas permanentes como um obstáculo. Em comparação, países que enfrentaram desaparecimentos forçados criaram políticas estáveis para identificação de vítimas.
Trabalho do CAAF
Pesquisadores do CAAF trabalham na análise de 1.049 caixas de ossadas humanas encontradas no Cemitério Dom Bosco, em São Paulo. Entre os sepultados, estavam desaparecidos políticos da ditadura. Avanços têm sido feitos, mas o trabalho é prejudicado por dependência de contratos de financiamento.
Impacto de Políticas Governamentais
A extinção do Grupo de Trabalho Perus em 2019, durante o governo Bolsonaro, dificultou financiamentos necessários para a identificação das ossadas. Recentemente, um novo Acordo de Cooperação Técnica foi firmado, permitindo a retomada das análises e identificações.
Continuidade dos Trabalhos
O governo atual, em 2023, reestabeleceu diálogos e planeja incluir no orçamento de 2024 recursos para o trabalho de identificação. No entanto, a continuidade das identificações está sujeita às mudanças nas políticas de Estado e cortes orçamentários.
Tabu da Ditadura Militar
A ditadura militar ainda é um tema delicado no Brasil, sendo um obstáculo para pesquisas históricas. Grupos políticos e econômicos que apoiaram o regime continuam influentes, o que complica o processo de memória histórica.













