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Brasil busca fortalecer soberania digital em IA com aliança global liderada pela China

O Brasil integra a recém-criada Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), sediada em Xangai, na China, ao lado de outros 28 países. A iniciativa tem como meta promover uma governança global da inteligência artificial (IA) baseada em modelos de código aberto, permitindo que empresas e instituições de diferentes nações possam acessar e desenvolver a tecnologia.

Especialistas apontam que a participação brasileira na Waico representa uma oportunidade para o país avançar em sua soberania digital. Segundo o professor Sérgio Amadeu da Silveira, da Universidade Federal do ABC (UFABC), o Brasil possui centros de pesquisa de destaque e pode buscar um caminho mais autônomo no desenvolvimento da IA. No entanto, ele ressalta a necessidade de investir em infraestrutura própria, especialmente para processamento e armazenamento de dados, evitando a dependência de grandes empresas estrangeiras do setor.

Ettore Arpini, especialista em governança de IA, destaca que o Brasil tem potencial para atuar como ponte entre as iniciativas chinesas e ocidentais, mas alerta para a importância de enxergar a IA não apenas como um tema setorial, e sim como uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento econômico e social do país.

No cenário internacional, o governo brasileiro defende a busca por soberania digital sem se limitar a modelos chineses ou ocidentais, mantendo diálogo aberto com diferentes iniciativas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem enfatizado em fóruns multilaterais que a IA não deve ser privilégio de poucos países, defendendo uma governança global com participação ampla de nações.

A criação da Waico contrasta com a Pax Silica, iniciativa dos Estados Unidos que busca controlar cadeias de suprimentos essenciais para a IA, como semicondutores e minerais críticos, por meio de uma aliança restrita a países considerados confiáveis pela Casa Branca. O debate internacional segue dividido entre modelos de governança abertos e centralizados, enquanto especialistas reforçam que a IA terá impacto em todos os setores da economia, semelhante ao que ocorreu com a eletricidade e a internet.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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